A grandeza do coração
Quando os seres humanos erguem monumentos às suas realizações, fazem com que as pessoas se sintam pequenas. Quando as pessoas se encontram diante dessas construções, sentem-se minúsculas.
Têm de levantar o olhar para as ver e, em comparação com elas, sentem-se muito pequenas.
A isso chama-se «grandeza».
Na criação do teu coração, o monumento está à tua medida. Dentro de ti encontra-se a grandeza, e aí és tu quem desperta admiração. É o próprio ser humano que merece essa admiração. É dele que nasce o amor.
A paz não se vai manifestar numa qualquer parede. A paz vai manifestar-se dentro de nós. É aí que mais precisamos dela. É a falta de paz interior que provoca as guerras no mundo exterior. Quando a paz se manifesta dentro de nós, começamos a compreender o que significa.
A paz tem de ser sentida.
A alegria tem de ser sentida.
A verdade não se encontra nas palavras.
A verdade é algo que se sente.
A verdade mais profunda encontra-se dentro de nós, e a realidade mais profunda desenrola-se mesmo diante dos nossos olhos.
Estamos aqui. Essa é a verdade. Existimos. Podemos sentir. Podemos compreender. Podemos sentir plenitude.
Precisamos de ter consciência da vida que temos. Não é algo que possamos viver como uma atividade secundária. Também nós precisamos de clareza, não apenas algumas pessoas a quem foi atribuída a responsabilidade de «ver com clareza».
Eu digo: mantém-te de pé pelos teus próprios meios.
As pessoas dizem que sou «controverso». Sei o que isso significa, mas, por curiosidade, consultei o dicionário para conhecer a definição formal.
No essencial, significa alguém que caminha na outra direção.
Sigo noutra direção, mas não apenas para ir contra a corrente. Não posso ser imprudente nesta vida. Cada respiração é demasiado preciosa. Cada momento desta vida é demasiado precioso. Não me posso dar ao luxo de correr riscos. Preciso de caminhar na direção que conheço e de avançar com clareza, sem ambiguidade.
Como é que sei? Tenho uma bússola e chamo-lhe coração.
É uma bússola maravilhosa. É precisa e tão real. Indica-nos a direção da vida. As pessoas perguntam se estou a falar de ouvir vozes dentro de nós. Não, o coração não te diz que tipo de carro deves comprar.
O coração é esse grito, esse apelo, que diz: «Sente plenitude. Sacia esta sede. Vive esta vida conscientemente. Aproveita, tanto quanto puderes, tudo o que esta respiração te trouxe. Vive. Existe.»
Alguns de nós tornaram-se especialistas na «síndrome da avestruz». Cavamos um buraco, enterramos a cabeça e pensamos que os problemas vão desaparecer. Isso não é viver. Viver é sentir, de dentro para fora, a alegria de estar vivo.
Aquilo de que falo é que cada um de nós esteja em paz. Isso vem em primeiro lugar. Nada o pode substituir. Precisamos de paz na nossa vida. Não são palavras vazias. Isto é real. Esta possibilidade é muito, muito real.
Deixa que o teu coração julgue. A que distância de ti está essa paz? Está dentro de cada um de nós. É assim tão próxima. Aquilo que todos procuramos, em última análise, está dentro de nós.